terça-feira, 30 de abril de 2013

Darwin e a prática da 'Salami Science'

FERNANDO REINACH - O Estado de S.Paulo
Em 1985, ouvi pela primeira vez no Laboratório de Biologia Molecular a expressão "Salami Science". Um de nós estava com uma pilha de trabalhos científicos quando Max Perutz se aproximou. Um jovem disse que estava lendo trabalhos de um famoso cientista dos EUA. Perutz olhou a pilha e murmurou: "Salami Science, espero que não chegue aqui". Mas a praga se espalhou pelo mundo e agora assola a comunidade científica brasileira.
"Salami Science" é a prática de fatiar uma única descoberta, como um salame, para publicá-la no maior número possível de artigos científicos. O cientista aumenta seu currículo e cria a impressão de que é muito produtivo. O leitor é forçado a juntar as fatias para entender o todo. As revistas ficam abarrotadas. E avaliar um cientista fica mais difícil. Apesar disso, a "Salami Science" se espalhou, induzido pela busca obsessiva de um método quantitativo capaz de avaliar a produção acadêmica.
No Laboratório de Biologia Molecular, nossos ídolos eram os cinco prêmios Nobel do prédio. Publicar muitos artigos indicava falta de rigor intelectual. Eles valorizavam a capacidade de criar uma maneira engenhosa para destrinchar um problema importante. Aprendíamos que o objetivo era desvendar os mistérios da natureza. Publicar um artigo era consequência de um trabalho financiado com dinheiro público, servia para comunicar a nova descoberta. O trabalho deveria ser simples, claro e didático. O exemplo a ser seguido eram as duas páginas em que Watson e Crick descreveram a estrutura do DNA. Você se tornaria um cientista de respeito se o esforço de uma vida pudesse ser resumido em uma frase: Ele descobriu... Os três pontinhos teriam de ser uma ou duas palavras: a estrutura do DNA (Watson e Crick), a estrutura das proteínas (Max Perutz), a teoria da Relatividade (Einstein). Sabíamos que poucos chegariam lá, mas o importante era ter certeza de que havíamos gasto a vida atrás de algo importante.
Hoje, nas melhores universidade do Brasil, a conversa entre pós-graduandos e cientistas é outra. A maioria está preocupada com quantos trabalhos publicou no último ano - e onde. Querem saber como serão classificados. "Fulano agora é pesquisador 1B no CNPq. Com 8 trabalhos em revistas de alto impacto no ano passado, não poderia ser diferente." "O departamento de beltrano foi rebaixado para 4 pela Capes. Também, com poucas teses no ano passado e só duas publicações em revistas de baixo impacto..." Não que os olhos dessas pessoas não brilhem quando discutem suas pesquisas, mas o relato de como alguém emplacou um trabalho na Nature causa mais alvoroço que o de uma nova maneira de abordar um problema dito insolúvel.
Essa mudança de cultura ocorreu porque agora os cientistas e suas instituições são avaliados a partir de fórmulas matemáticas que levam em conta três ingredientes, combinados ao gosto do freguês: número de trabalhos publicados, quantas vezes esses trabalhos foram citados na literatura e qualidade das revistas (medida pela quantidade de citações a trabalhos publicados na revista). Você estranhou a ausência de palavras como qualidade, criatividade e originalidade? Se conversar com um burocrata da ciência, ele tentará te explicar como esses índices englobam de maneira objetiva conceitos tão subjetivos. E não adianta argumentar que Einstein, Crick e Perutz teriam sido excluídos por esses critérios. No fundo, essas pessoas acreditam que cientistas desse calibre não podem surgir no Brasil. O resultado é que em algumas pós-graduações da USP o credenciamento de orientadores depende unicamente do total de trabalhos publicados, em outras o pré-requisito para uma tese ser defendida é que um ou mais trabalhos tenham sido aceitos para publicação.
Não há dúvida de que métodos quantitativos são úteis para avaliar um cientista, mas usá-los de modo exclusivo, abdicando da capacidade subjetiva de identificar pessoas talentosas, criativas ou simplesmente geniais, é caminho seguro para excluir da carreira científica as poucas pessoas que realmente podem fazer descobertas importantes. Essa atitude isenta os responsáveis de tomar e defender decisões. É a covardia intelectual escondida por trás de algoritmos matemáticos.
Mas o que Darwin tem a ver com isso? Foi ele que mostrou que uma das características que facilitam a sobrevivência é a capacidade de se adaptar aos ambientes. E os cientistas são animais como qualquer outro ser humano. Se a regra exige aumentar o número de trabalhos publicados, vou praticar "Salami Science". É necessário ser muito citado? Sem problema, minhas fatias de salame vão citar umas às outras e vou pedir a amigos que me citem. Em troca, garanto que vou citá-los. As revistas precisam de muitas citações? Basta pedir aos autores que citem artigos da própria revista. E, aos poucos, o objetivo da ciência deixa de ser entender a natureza e passa a ser publicar e ser citado. Se o trabalho é medíocre ou genial, pouco importa. Mas a ciência brasileira vai bem, o número de mestres aumenta, o de trabalhos cresce, assim como as citações. E a cada dia ficamos mais longe de ter cientistas que possam ser descritos em uma única frase: Ele descobriu...

sábado, 29 de dezembro de 2012

Vício não são crimes, STF

Vícios são aqueles atos pelos quais um homem prejudica a si mesmo ou sua propriedade. Crimes são aqueles atos pelos quais um homem prejudica a pessoa ou a propriedade de outrem.


Vícios são simples erros cometidos por um homem em sua busca pela felicidade. Ao contrário dos crimes, eles não implicam nenhuma malícia em relação aos outros e nenhuma interferência em suas pessoas ou propriedades.


Nos vícios, a própria essência do crime — isto é, o desejo de prejudicar a pessoa ou a propriedade de outrem — inexiste.

É uma máxima da lei a de que não é possível haver crime sem intento criminoso; isto é, sem o intento de invadir a pessoa ou a propriedade de outrem. Porém, ninguém jamais pratica um vício com tal intento criminoso. Pratica-se um vício visando-se a própria felicidade tão-somente, e não por qualquer malícia em relação aos outros.

A não ser que essa clara distinção entre vícios e crimes seja feita e reconhecida pelas leis, não é possível que existam na terra quaisquer direitos, liberdades ou propriedades individuais; quaisquer direitos de um homem de controlar sua pessoa e propriedade, e o correspondente e igual direito de outro homem de controlar sua pessoa e propriedade.

Quando um governo declara que um vício é um crime, e o pune como tal, há uma tentativa de falsear a própria natureza das coisas. É tão absurdo quanto seria uma declaração de que uma verdade é uma mentira ou de que uma mentira é uma verdade.- Lysander Spooner - Vícios não são crimes


Uma reflexão para o que nós estamos observando mais uma vez com a aplicação ainda mais rígida da famigerada Lei Seca no trânsito brasileiro. O texto, por incrível que pareça, é do século XIX. Estamos regredindo, e pelo visto não entendemos mais nada sobre liberdade ou mesmo direitos individuais. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Desempenho de cotistas fica acima da média


Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp) mostraram que o desempenho médio dos alunos que entraram na faculdade graças ao sistema de cotas é superior ao resultado alcançado pelos demais estudantes.
O primeiro levantamento sobre o tema, feito na Uerj em 2003, indicou que 49% dos cotistas foram aprovados em todas as disciplinas no primeiro semestre do ano, contra 47% dos estudantes que ingressaram pelo sistema regular.
No início de 2010, a universidade divulgou novo estudo, que constatou que, desde que foram instituídas as cotas, o índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas.
A Unicamp, ao avaliar o desempenho dos alunos no ano de 2005, constatou que a média dos cotistas foi melhor que a dos demais colegas em 31 dos 56 cursos. Entre os cursos que os cotistas se destacaram estava o de Medicina, um dos mais concorridos - a média dos que vieram de escola pública ficou em 7,9; a dos demais foi de 7,6.
A mesma comparação, feita um ano depois, aumentou a vantagem: os egressos de escolas pública tiveram média melhor em 34 cursos. A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática. 
A pergunta que não quer calar, qual então o sentindo das cotas sendo que os alunos que entram nas universidades por esse sistema tem desempenhos melhores? Se é assim, eles não conseguiriam passar no vestibular? O problema então não é referente a capacidade econômica, racial, social, mas sim por um sistema falho de admissão das universidades brasileiras? Perguntas para incomodar um pouco a opinião dominante favorável as cotas.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Toffoli e seu entendimento de justiça

"Ele foi advogado do partido – destacando-se na liderança petista na Câmara dos Deputados nos anos 1990, e na consultoria de campanhas eleitorais –, assessor jurídico da Casa Civil quando o ministro era Dirceu e advogado-geral da União do governo Lula.
Antes de assumir a cadeira no Supremo, Toffoli também atuou como advogado do próprio Dirceu em algumas ocasiões. 
Até 2009, ele era sócio no escritório da advogada Roberta Maria Rangel, hoje sua namorada, que defendeu outros acusados de envolvimento no mensalão, como os deputados Professor Luizinho (PT-SP), então líder do governo, e Paulo Rocha (PT-PA)."
Isso é digno de não se conhecer a profissão, de não se levar a sério a justiça, e mais, a inteligência do povo brasileiro. Esse senhor não tem condições de julgar o caso do mensalão devido ao seu passado muito próximo ao PT. A maioria do STF foi indicada por Lula e Dilma, mas esse caso é o supra sumo da sandice e desonestidade. Lamentável que um juiz que encabeça o maior cargo do judiciário no país entenda a justiça dessa forma e ponha em risco um julgamento de tamanha importância, seja por errar a mais ou a menos.

terça-feira, 10 de julho de 2012

2 anos de Blog!

É neste dia de 10 de julho de 2012 que se comemora o segundo aniversário do blog. Nem parece que já estou escrevendo há dois anos, nem tanto quanto queria, mas sempre postando algo relativo aos meus pensamentos em relação ao que ocorre no mundo. Enfim, esse blog nada mais é que um diário de pensamentos e argumentações livre e aberto a todos, prezando assim mais uma vez o direito da liberdade de expressão, tão bombardeado e execrado atualmente.

Espero continuar escrevendo, pensando, e argumentando sobre os mais diversos temas e assuntos, e assim contribuir de maneira quase nula com o conhecimento humano, já que este é um gigante se visto por um único indivíduo, e um átomo observado pelo que ainda pode ser descoberto.

Feliz aniversário!

domingo, 8 de julho de 2012

Sobre a legalização das drogas

Já escrevi textos sobre o famigerado assunto da legalização das drogas, mas agora quero focar e pontuar argumentos que são favoráveis a tomada dessa atitude pelo Estado brasileiro, e pelos demais também:

1 - Primeiramente, é importante dizer que o corpo de uma pessoa pertence a esta pessoa, não a outro ente de qualquer natureza. Sendo assim, somente ela está capacitada a se autorizar a utilizar ou não seja qual substância química, física, psicológica exista ao redor do mundo. O que isso quer dizer? Somente e unicamente o indivíduo é responsável pelo que se usa e todos os desdobramentos acarretados por esta substância. Neste momento é importante afirmar, que o uso seja deliberado por si mesmo, e não por terceiros, não entrando aqui casos criminosos em que a vítima seja forçada a tomar algo que não queira.

2 - Dito isso, a primeira questão ao meu ver que surge se diz respeito aos abusos cometidos por usuários, que consequentemente se transformar teoricamente em crimes contra outro indivíduos. Este ponto argumentativo é um desvio da lógica do argumentador, culpando a substância em si pelo crime, ao invés de culpar o indivíduo que a tomou. Se pensarmos desse modo, todos os acidentes causados no trânsito são de culpa exclusivamente dos automóveis, o que na prática levaria a pensar em proibir todo os tipos de veículos, já que com sua proibição o número de acidentes cairia drasticamente.

3 - Continuamos por enquanto na questão relacionada à justiça, pegando como um exemplo um caso no qual um indivíduo alterado por substâncias cometa um crime. Aqui pode-se notar um grande problema existente na legislação de vários países, o atenuamento de pena para pessoas alteradas. A lei deveria servir para julgar igualmente qualquer tipo de caso, colocando como iguais os indivíduos. Quando uma pessoa embriagada dirige e mata um pedestre, o crime incorre no matar uma pessoa, não por aquela dirigir embriagada. Do mesmo modo, esta pessoa pode dirigir embriagada e seguir todas as leis de trânsito com cautela. A justiça então deveria igualar a pessoa embriagada que dirige com cautela e o individuo sóbrio que dirige com cautela, do mesmo modo que faz quando um sóbrio mata no trânsito tanto quanto um embriagado.

4 - Partimos agora para um ponto moral relacionado ao uso de substâncias entorpecentes. O que mais é se falado dentro desta discussão é que com a legalização das drogas, o consumo irá explodir. Este tipo de argumento não se consolida com os dados históricos, como se pode ver com a Lei Seca americana, que pelo contrário, a proibição fez o consumo aumentar exponencialmente. Mesmo se os dois pensamentos se corroborassem, é complicado utilizar este método, já que seria necessário expandi-lo para vários outros setores, como por exemplo o de alimentos. O açúcar e a gordura são tão danosos a saúde quanto as drogas, e matam tanto quanto, mas estão em todos os supermercados e searas alimentícias disponíveis.

5 - Continuando com esta argumentação, não é por ser legal que todos usarão, como ocorre da mesma forma com o álcool e o cigarro. Há aliás grupos que mostram os danos que estas substâncias produzem, e eles poderão continuar atuando de forma não autoritária para informar a população dos riscos de  tais substâncias. Não vejo problema nenhum em campanhas anti-fumo, anti-álcool, anti-drogas, desde que estas respeitem o direito das pessoas em se ter o favorecimento da escolha do sim ou não sem que esteja apontada uma arma em suas cabeças.

6 - Chegamos agora em uma parte importante, a parte econômica. Há um dilema dentro da corrente libertária se é melhor a liberalização ou não, visto que com a liberalização no mundo atual acarretaria uma série de regulamentações e impostos, encarecendo o produto e dificultando sua venda. Por outro lado, com a legalização (sempre pensando no ponto de vista da realidade atual, sem nos focarmos no que seria o mundo ideal), os usuários seriam beneficiados por estarem comprando produtos que possuam selos de qualidade e sigam etapas de produção industrial, diferenciando por preços e quantidades a qualidade do produto ao qual está comprando, acabando assim com a instabilidade e a dúvida de se tal produto realmente é o que se está dizendo.

7 - Por fim, há uma junção entre a economia e a saúde. Com as drogas no mercado legalizado, os casos de overdose acidental por uso de substâncias de diferentes níveis tóxicos cairiam drasticamente, pois o consumidor sempre utilizaria algo ao qual está acostumado, e não meramente estaria a deriva de variações de substâncias. Ao mesmo tempo que isso ocorre, drogas relacionadas ao sub-mundo estariam fadadas a desaparecer, como o crack, já que em um mercado competitivo não há espaços para restos de substâncias que causam grandes danos a saúde. Mais um vez recorro ao caso da Lei Seca americana, dada a proibição do álcool, surgiu uma substância parecida com o whisky, mas extremamente danosa ao organismo humano, que matou ou deixou aleijado mais de 30.000 americanos.

8 - E o último item extra, todo dinheiro dispendido pelos governos mundiais na guerra as drogas poderia ser convertido para clínicas de tratamento e contenção para usuários, ao invés de usado para disseminar o assassinato ao redor do globo.

Além do que, a humanidade viveu 9.900 anos sem proibição das drogas, e estamos aqui até hoje.

Enfim, existem mais argumentos a serem colocados nesta discussão, mas basicamente são estes os que mais influenciam em uma legalização da venda das drogas.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Erundina se redime e sai do lamaçal

"A deputada federal Luiza Erundina, do PSB, confirmou sua desistência de concorrer como candidata a vice na chapa do candidato do PT, Fernando Haddad. A decisão foi comunicada ao presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), em reunião em Brasília. Na útlima segunda, Erundina havia antecipado ao site de VEJA que não aceitaria fazer campanha ao lado do deputado federal Paulo Maluf, presidente estadual do PP, que havia anunciado aliança com o PT. Erundina e Maluf são inimigos históricos. A informação foi confirmada pelo presidente estadual da legenda em São Paulo, deputado federal Márcio França. “Ela disse que não tinha condições de continuar na disputa com essa aliança”, afirmou o deputado."

Fonte: Veja 

Parabéns Erundina, mesmo com minhas gigantescas divergências de ideias, você mostrou ter um pouco de vergonha na cara ao contrário do senhor Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Maluf oficializa apoio ao PT em encontro com Lula e Haddad

"O deputado federal Paulo Maluf realizou encontro nesta segunda-feira (18) para oficializar a adesão do Partido Progressista (PP) à chapa do pré-candidato Fernando Haddad (PT). Tanto o candidato petista quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram do encontro, que começou por volta das 13h e durou cerca de 30 minutos. (...)

Acompanhado por Haddad, Maluf  falou com os jornalistas no portão de sua casa, nos Jardins. "Política é como futebol. Quem é palmeirense não gosta do Corinthians, quem é corintiano não gosta do Palmeiras e pode alguém não gostar de mim. Mas ninguém pode dizer que Paulo Maluf como ex-governador e ex-prefeito conhece como ninguém os problemas da cidade de São Paulo", disse o ex-prefeito. "Quem tem as melhores condições de resolver esse problema é um candidato que tenha parceria com o governo federal", complementou.


Maluf afirmou que não existe mais esquerda e direita. "Hoje teve eleição na França. Perdeu Sarkozy e venceu Hollande. Se você vai em Paris e pergunta, você é de esquerda ou de direita, ele diz: 'isso é sinal de trânsito'. A esquerda está na Rússia? Na China que não tem direitos humanos, em Cuba, que deporta seus boxeadores? Ou você é eficaz e produtivo ou o povo te manda democraticamente para casa. Aqui tem democracia, graças a Deus, e vai ter com Fernando Haddad", afirmou. (...)"



Esse é o complemento do post anterior. Triste, lamentável.

domingo, 10 de junho de 2012

Isolado na capital, PT tem chapas gigantescas na Grande SP

"Favorito à reeleição, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, tem 19 siglas na sua chapa, incluindo o DEM, e negocia para tirar da disputa o pré-candidato do PMDB, Tunico Vieira.
Já em Guarulhos, o prefeito Sebastião Almeida tenta fechar com 18 legendas. "Apenas PSDB, PPS e DEM não estão conversando para fazer parte da aliança", conta a vereadora Marisa de Sá.
A situação é a mesma para o pré-candidato de Osasco, deputado João Paulo Cunha, que reuniu 21 siglas na sua chapa. O acordo foi costurado apesar da possibilidade de ele não participar da eleição, pois é réu do mensalão.
Até o fim do mês, quando termina o prazo das convenções, o PT pode fazer alianças que vão de 10 a 18 siglas em cidades como Embu das Artes, Santo André, Diadema, Carapicuíba e Suzano."


Isso é uma democracia verdadeira? Enquanto Lula sempre esbraveja na frente da imprensa contra tucanos e democratas, por "baixo do pano", ou melhor, nas eleições municipais, seu partido se entope de coligações nas quais juntam-se aos montes seus "inimigos" como PSDB e DEM. Em qual parte está a seriedade e o compromisso com os ideais apregados por ambos os partidos? Se são adversários em território nacional e estadual, qual a razão de efetuarem alianças em nível municipal? 

O fisiologismo do sistema partidário brasileiro é cada vez mais comum, e tende a sê-lo. O teatro político encenado pelas maiores forças partidárias do país, no qual aparentemente há diferenças no modo de se agir, se mostra inexistente quando partimos para a análise da sociedade. Em tempo, nenhum dos partidos tem propostas que realmente interessam aos eleitores; eles apenas querem chegar ao poder e ao Leviatã para chupar os recursos da população da forma mais escabrosa possível. Quando a população tiver consciência desse fato, essas instituições estarão fadadas ao fracasso.

"As massas nunca se revoltarão espontaneamente, e nunca se revoltarão apenas por serem oprimidas. Com efeito, se não se lhes permitir ter pradões de comparação nem ao menos se darão conta de que são oprimidas." - 1984, George Orwell

sábado, 7 de janeiro de 2012

Exemplo de jornalismo patético

"O ex-presidente e privata Fernando Henrique Cardoso, depois de ter dito para esquecer tudo o que ele escreveu, agora ataca de plagiador. O título de sua mais recente obra (sic), A soma e o resto, é o mesmo do livro do marxista francês Henri Lefebvre, escrito em 1958, La somme et le reste.
Para aumentar as “coincidências”, o livro de Lefebvre é autobiográfico, no qual ele fala de sua vida de filósofo e sociólogo.
FHC não toma jeito: depois da privataria, agora ataca de pirata e rouba o título de livro de outro autor. Outra coisa: já imaginaram se o Lula faz uma coisa dessas? A grande imprensa “isenta, imparcial e apartidária” iria deixar barato?" 

"Tomo de empréstimo o título de um livro de Henri Lefebvre, escritor francês que rompeu com o Partido Comunista em 1958 e publicou as suas razões para tanto nesse livro de 1959. Anos mais tarde, em 1967-1968, fui colega de Lefebvre em Nanterre, quando demos início - juntamente com Alain Touraine, Michel Crozier e com o então quase adolescente Manuel Castells - a uma experiência de renovação da velha "Sorbonne", na área das Ciências Humanas.

Sempre gostei do título do livro de Lefebvre e agora, ao escrever estas linhas - sem nenhuma pretensão a devaneios psicanalíticos -, recordo-me também de que Lefebvre tinha uma grande semelhança física com meu pai. Mas o fato é que há momentos para fazer um balanço. No caso, Lefebvre descontava o que o Partido Comunista lhe tirara ou ele do mesmo e via o que sobrava: a experiência dramática das revelações que Nikita Kruchev fizera dos horrores stalinistas, somadas à invasão da Hungria, provocaram uma remexida crítica na intelectualidade europeia, que não deixou de afetar a brasileira e a mim próprio. "


Não precisa dizer nada não é?

sábado, 5 de novembro de 2011

São Desidério/BA e duas premissas interessantes.

http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/t/edicoes/v/municipio-com-maior-renda-agricola-do-pais-sofre-com-problemas-sociai/1685819/

Esta matéria mostra duas coisas interessantíssimas, e que deviam ser, ou melhor, já são motivos de estudo por vários especialistas da área das Ciências Sociais que não são lidos no país. O primeiro ponto, e mais importante, é mostar como o capitalismo produz prosperidade e uma qualidade de vida excepcional se deixado fazer seu trabalho. Uma cidade como São Desidério, no interior da Bahia, tem a maior renda agrícola do país, e digo mais, com um pib per capita de 39.000 reais, que se comparado com os 11.000 dólares brasileiros, algo em torno de 20.000 reais, é quase o dobro do país. Mesmo com esse mar de prosperidade, o município de São Desidério tem altas deficiências em várias áreas que são encarregadas pela administração pública, como por exemplo a rede de esgoto, praticamente inexistente na cidade. É nesse ponto que vemos duas situações extraordinárias, que são comprovadas empiricamente: a prosperidade do capitalismo e a ineficiência do estado em prover serviços para a população.

Em segundo momento, vem o que mais me assombrou. No começo da reportagem vemos um fazendeiro dizendo que já tem contratados 80 pessoas, e precisa de mais 20, mas como ele mesmo diz, não há mão de obra disponível na cidade. Já no fim, é mostrado um senhor que prefere ganhar os míseros cento e alguns quebrado do Bolsa Família, ao trabalhar no setor agrícola e ganhar muito mais, melhorando assim de forma clara sua vida; e o que fica como assombro é a pergunta do repórter "Mas tem trabalho?" feita para o rapaz, que responde "Tem, tem trabalho." E no final da reportagem o jornalista entrevista um outro senhor, no qual preferiu mudar para a zona agrícola da cidade e trabalhar nas fazendas de algodão, ganhando bem e mantendo sua dignidade.

Esses dois temas são para se pensar, e muito.


sábado, 15 de outubro de 2011

Os "Indignados" e a imprensa mundial

O 15 de outubro de 2011 foi proclamado como o dia contra "a ganância financeira", "o poder do dinheiro" e outros gritos de guerra contra o sistema econômico vigente no mundo. A imprensa brasileira e mundial estão fazendo uma cobertura desse "evento" muito minuciosa, mostrando a cada momento do dia manifestações que estão ocorrendo em torno do mundo inteiro. Curiosamente, essas manifestações possuem apenas em alguns locais como em São Paulo, míseras 70 pessoas, ou em outros como em New York, a quantidade estrondosa de 2.000 pessoas na frente de Wall Street. Isso é o fim do capitalismo? É a nova revolução iminente, em que o povo se cansou e se rebelará para destruir o sistema econômico? 

Não, e um não por duas razões simples. A primeira delas é uma simples conta matemática: o que 70 pessoas representam em um universo de 190 milhões? Ou mais, 2 mil em quase 300 milhões? Realmente nada. A segunda razão se vê pela característica desses movimentos no estilo Ocupe Wall Street. Por mais que eu abomine o comunismo/socialismo, no início do século XX esse sistema era tratado como uma alternativa real ao capitalismo, e que com sua implementação seria a salvação de todos os problemas da humanidade. Era um ideal no qual as pessoas acreditavam como se fosse por fé. Agora, o que os membros do Ocupe Wall Street têm como solução para os problemas sociais, políticos e econômicos que o mundo está sofrendo? Eles possuem uma causa única, na qual pautam suas ações? Ou é um amontoado de indivíduos indignados por motivos egoístas, nos quais estão perdendo seus "direitos sociais" conseguidos através de um Estado papai como o social-democrata? Quando alguns recuperarem o que acham que perderam, estarão ainda na frente desse movimento? 

Creio que não. Um movimento no qual agrega tantas causas, no fim não possuí algo que reúna essas pessoas para que façam uma mudança social séria, pois a indignação some quando o que você quer é atendido.

Ps: Antes que digam que sou contra a liberdade de expressão dessas pessoas, não, absolutamente não, qualquer um tem o direito de protestar pelo que quiser. Só acho que a imprensa brasileira, que é chamada por muitos de conservadora e favor da "elite", não fez uma cobertura sequer do movimento Tea Party que ocorreu nos EUA, um movimento que fez e faz um barulho na política americana. Isso que é muito estranho.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Suprema Corte dos EUA barra lei que impediria venda de games violentos

A proposta para a lei de proibição de venda e de aluguel de games considerados violentos foi criada em 2005 pelo senador democrata Leland Yee e aprovada pelo então governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Desde então, a indústria produtora de jogos eletrônicos e redes varejistas entraram na justiça contra a proposta, considerada inconstitucional por estes grupos.


Nos Estados Unidos não existe legislação que impede a venda de jogos para qualquer idade. Entretanto, o órgão independente Entertainment Software Rating Board (ESRB), que não tem ligação com o governo, classifica os jogos de acordo com o seu conteúdo, atribuindo uma idade indicada. As produtoras não são obrigadas a enviar seus jogos para avaliação, embora as principais enviem. Cada lojista define como agirá na venda de jogos violentos. Quando voltados para maiores de 17 anos, alguns lojistas pedem identificação do comprador e, caso ele seja menor de idade, podem decidir se vendem o game ou não.


Brincadeira em Arnold?! Dá uma dessas agora? E os EUA ainda continuam sendo o bastião da liberdade, apesar dos pesares que ocorrem lá. A descrição de como acontece a venda e classificação de jogos é perfeita!